A Bíblia e o erotismo

Por Luciana em July 2008 na categoria Opinião

Cântico dos Cânticos celebra paixão entre namorados com imagens fortes e sensuais. Texto mal menciona Deus, mas passou a ser interpretado como símbolo do amor divino.

“O mundo inteiro só foi criado, por assim dizer, por causa do dia em que o Cântico dos Cânticos seria dado a ele. Pois todas as Escrituras são santas, mas o Cântico dos Cânticos é o Santo dos Santos.” A frase teria sido dita pelo sábio judeu Rabi Akivá, por volta do ano 100 d.C., e explicaria porque a Bíblia aceita por cristãos e judeus de hoje abriga esse livrinho misterioso. Os oito capítulos do Cântico dos Cânticos estão cheios de sensualidade e erotismo, descrições apaixonadas do corpo de dois jovens amantes, insinuações do ato sexual — e uma única menção, que soa quase como nota de rodapé, ao nome de Deus. Como explicar, então, seu status nas Sagradas Escrituras judaico-cristãs?

Se a sensibilidade moderna estranha a presença de uma coleção de poemas eróticos no meio da Bíblia, a defesa do Cântico dos Cânticos (expressão hebraica que significa algo como “o maior dos cânticos” ou “o mais belo dos cânticos”) pelo Rabi Akivá sugere que o próprio povo judaico teve dificuldade para aceitar a obra. “Houve muitos debates sobre a canonicidade dele [ou seja, sobre sua inclusão no cânon, ou conjunto oficial, da Bíblia]. No fim das contas, os rabinos acabam aceitando o livro, que é o último a ser incluído no cânon hebraico, mas proíbem seu uso como canções seculares, em salões de banquetes”, conta Rita de Cácia Ló, professora do curso de extensão em teologia da Universidade São Francisco (SP).

Apesar da inclusão tardia no conjunto das Escrituras, há indícios de que o Cântico tem uma história antiga e complicada. As versões que conhecemos do livro trazem uma espécie de rubrica, dizendo que o livro é “o Cântico dos Cânticos de Salomão”, rei de Israel que viveu por volta do ano 950 a.C., mas a maioria dos estudiosos modernos concorda que essa atribuição é fictícia.

“Na Antigüidade era comum que alguns textos fossem atribuídos a personagens famosos, seja por representar uma continuidade dos seus ensinamentos ou por fazer alusão a momentos marcantes de sua vida ou da lenda gerada por eles”, explica Humberto Maiztegui Gonçalves, doutor em teologia bíblica e clérigo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil cuja tese versou sobre o Cântico. Como Salomão, segundo a tradição israelita, teria amado inúmeras mulheres e tido grande gosto pela literatura, seu nome teria sido “atraído” para o poema. “Além disso, Salomão nasceu das loucuras de amor entre o rei Davi e Betsabéia, que era uma mulher casada, o que talvez também possa explicar essa idéia”, lembra Rita Ló.

 Reino do Norte

Apesar da referência aparentemente fictícia ao sábio Salomão, há no texto uma rápida menção à cidade de Tirza, que foi capital do Reino de Israel, ou Reino do Norte, uma das duas monarquias nas quais teria se dividido o território israelita após a morte de Salomão, por volta de 900 a.C. O interessante é que Tirza foi capital durante um brevíssimo período de tempo, logo após a separação dos reinos, o que pode indicar que ao menos parte do poema remonta a quase nove séculos antes de Cristo. No entanto, também há sinais, no hebraico do Cântico, que o texto foi retrabalhado após a destruição de Jerusalém pelos babilônios (século 6 a.C.), ou até perto do período grego, uns três séculos mais tarde.

As teorias sobre a origem do livro são muitas. “Ele poderia ter sido composto de uma só vez, por um único autor, ou o que temos hoje é a composição de vários poemas de amor que ‘menestréis’ ambulantes cantavam nos casamentos das aldeias que percorriam”, afirma Cássio Murilo Dias da Silva, doutor em exegese bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma e autor do livro “Leia a Bíblia como Literatura”.

Com ou sem a participação de menestréis no surgimento do Cântico, um dos pontos surpreendentes no texto é a ênfase dada à voz feminina: em boa parte do texto, quem fala é uma jovem apaixonada e decidida, que procura seu amado pelas ruas da cidade, trama subterfúgios para fazer com que ele entre em seu quarto e anseia por encontrá-lo em meio à natureza, aos bosques e vinhedos, com descrições que evocam a natureza da terra de Israel na Antigüidade.

“Como a macieira entre as árvores dos bosques/Assim é meu amado entre os moços/À sombra de quem eu tanto desejara me sentei/E seu fruto é doce ao meu paladar/Ele me introduziu na sua adega/E a sua bandeira sobre mim é Amor!”, declama a jovem. Em nenhum outro texto bíblico os pensamentos e desejos da mulher ocupam um lugar de tamanho destaque. Aliás, a impressão que o texto passa é que se trata de um casal de jovens namorados, e não que os dois sejam oficialmente casados.

“Para quem tenha uma visão da Bíblia com a masculinidade como centro, isso pode chegar a ser até escandaloso. Os homens participaram, no começo, como complemento”, diz Humberto Gonçalves. Para o especialista anglicano, é possível dizer que as mulheres são as principais autoras da coleção de poemas do Cântico. “A pergunta é se sua autoria foi oral ou se chegaram a fixar a poesia por escrito”, afirma ele. De fato, era raro que uma mulher do Oriente Médio antigo soubesse ler e escrever.

 Amor humano, amor divino

Outra característica marcante do texto são os chamados “wasfs”, longas comparações poéticas em que cada parte do corpo da amada ou do amado é comparada a um objeto, animal ou lugar. Trata-se de uma fórmula literária que também aparece na poesia amorosa árabe e do antigo Egito. Nesses trechos é que a sensualidade do poema fica mais explícita. “Tua fronte por trás do véu/É como uma romã aberta/Teu pescoço é como a Torre de Davi/Da qual pendem mil escudos/Teus seios são como dois filhotes gêmeos de gazela/Pastando entre os lírios”, diz o amado em certo trecho.

“Sem dúvida, o sentido primeiro [do poema] é o amor humano, com tudo o que ele tem de paixão, crise, atração, desejo etc.”, afirma Cássio da Silva. Por que, então, a inclusão do texto sensual no cânon sagrado? A explicação mais provável, sugerem os especialistas, é o fato de que a separação entre amor humano e amor divino que existe na cultura moderna era bem menos rígida na sociedade dos antigos israelitas. “No mundo antigo, tudo, inclusive as técnicas artesanais, o amor, a guerra e até os acordos políticos e diplomáticos tinham a ver com divindades”, lembra Humberto Gonçalves.

“Não se pode separar a dimensão religiosa e mística do amor humano, porque, em larga escala, é o mesmo sentimento que Deus tem em relação a nós. O amor de duas pessoas reflete o amor com que Deus nos ama. Isso sem falar que o Cântico foi composto numa sociedade bem menos puritana e hipócrita do que a nossa”, acrescenta Silva.

Rita Ló lembra que existia uma antiga tradição na qual o amor de Deus por seu povo escolhido de Israel era visto, de forma metafórica, como o casamento de dois seres humanos, o que impulsionaria essa interpretação mística do Cântico dos Cânticos. Por outro lado, Gonçalves diz que a sensualidade do poema pode refletir uma espiritualidade pagã que influenciou os israelitas nas épocas mais antigas. Afinal, os povos vizinhos, e provavelmente os próprios israelitas, adoravam deusas em rituais de fertilidade, o que explicaria em parte a importância feminina no Cântico. Nesse caso, a sexualidade quase explícita também teria um papel espiritual para os primeiros autores do texto.     

 Vida longa e próspera

De qualquer maneira, a própria sobrevivência do Cântico em épocas posteriores pode significar que ele teve um papel de “resistência” contra os aspectos mais machistas do judaísmo, diz Ló. “Após o exílio na Babilônia, houve um período de fechamento e o crescimento de uma visão muito negativa sobre o corpo da mulher, visto como fonte de impureza. O livro contraria isso”, afirma a especialista. 

De certa forma, a argumentação do Rabi Akivá ajudou a superar essa tensão, segundo Cássio da Silva. “Afinal, o amor humano vale ou não vale por si mesmo? É ou não é expressão do amor divino? Os rabinos responderam afirmativamente a essas duas perguntas. Tanto que, no calendário judaico, o Cântico dos Cânticos é lido na festa da Páscoa [a mais importante do judaísmo]. E aí entra a mística: o sentimento do amado pela amada e vice-versa ajuda a compreender o amor de Javé por seu povo, Israel, e
nesse amor Javé desce do céu para tirar seu amado povo do Egito e dar-lhe a vida e a felicidade. De Israel, espera-se que corresponda ao amor de Javé e lhe seja fiel.”

O cristianismo atualizou essa visão ao substituir “Javé” e “Israel” por “Cristo” e “Igreja” na equação: o amor do casal no poema virou também o símbolo do amor de Cristo por sua Igreja, vista como sua “noiva”. Dessa forma, a influência do Cântico teve vida longa e acabou se estendendo ao último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, na qual a metáfora praticamente conclui a Bíblia cristã.

Texto de Reinaldo José Lopes, do G1.

BUUMM! Mais uma do DT!

Dessa vez, André e Ana Paula Valadão participam de uma cerimônio “lava-pés” e lavam seus pés em uma pequena bacia, e depois Ana Paula e André (bem no fim do vídeo), jogam a água de seus pés lavados no povo!

Isso é um ato espiritual ou pessoas totalmente fora da direção de Deus?

O vídeo é grande, portanto, tenham paciência e depois comentem!

Mais um João morreu

Por leone em July 2008 na categoria Opinião

Ligo a TV para assistir mais um Jornal Nacional. Me deparo com uma chamada sensacionalista (obviamente) sobre o desespero de um pai trabalhador que teve seu filho (João Roberto) de 4 anos fuzilado por militares no Rio de Janeiro. Outro João (Hélio) foi assassinado ano passado por bandidos que roubaram o carro de sua mãe e na correria ficou preso ao cinto e foi arrastado por quilômetros até morrer de traumatismo craniano. Lendo a notícia da morte de João Roberto pela internet não pude deixar de notar o texto. Segue:

“João Roberto estava no carro da mãe, Alessandra Amaral, quando os dois PMs começaram a disparar. O carro apresenta cerca de 20 perfurações de tiros. Os policiais afirmam que perseguiam ladrões de carro naquele momento e que confundiram o carro da família com o dos supostos assaltantes.”

No caso de serem assaltantes o fuzilamento estaria totalmente justificado. Eram assaltantes, oras!

Em outra parte:

O secretário estadual da Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, classificou a ação de desastrosa e admitiu a falta de preparo dos PMs na abordagem de suspeitos. Ele afirmou que “um fato como esse não tem desculpa”, mas ponderou que os policiais que atuam no bairro da Tijuca estão sob constante tensão.”

Amanhã, provavelmente outra notícia vai tomar conta dos noticiários e os “Joãos” vão virar história, que provavelmente vai ser contada em algum Globo Repórter num futuro não tão distante. A pergunta que me faço é se algum dia vou ver a polícia não usar nenhuma arma e ser respeitada. Se algum dia no país em que nasci e escolhi viver vou poder ver assaltantes presos e não fuzilados por policiais “sob constante tensão”. Levanto todos os dias bem cedo, durmo tarde e corro um grande risco de estar fazendo isso em vão, pois amanhã posso ser o próximo João.

Deus me livre de ser brasileiro!

O Cristo Contemporâneo

Por rap em June 2008 na categoria Artigos, Espiritual, Idéias, Opinião

“Esqueça o evangelho de esperança, troque-o pela mensagem positivista de auto-ajuda.” Essa é a pregação implícita dos motivos de sucesso que devemos ter na vida. “Quer ter sucesso? Aprenda com Cristo”. Esse é o slogan que encontraremos em palestras de auto-ajuda, não somente em tais reuniões, mas também em templos que supostamente falam de Cristo como Salvador.

Jesus é tão bem citado como o maior alguma coisa de todos os tempos que a mensagem deixada, de esperança, de uma nova vida em contraponto com as dificuldades, é totalmente esquecida. A imagem que querem criar é de alguém que nunca teve sofrimento, ao contrário do que pode ser observado. Ele chorou quando um amigo morreu (Jo 11), teve tristeza quando a morte se lhe apresentou (Mt 26:38), se irou com os mercadores no templo (Jo 2). Ele esteve em estado humano e, provavelmente não seria o melhor exemplo de vida próspera para um pseudo-cristão.

Cristo Jesus não foi o maior líder de todos os tempos porque conseguiu fazer com que onze pessoas falassem de sua filosofia a todo mundo, isso Lao-Tsé, Maomé e muitos outros também conseguiram fazer. Igualam-no com funções meramente humanas. Quanta presunção comparar a função única de consolador com a de um psicólogo. Ele via além do que podemos ver em testes de psicanálise e comportamento, sabia qual era a intenção do coração.

As fórmulas de sucesso e prosperidade estão muito aquém do que é libertação, certeza de imortalidade e amor. “Suba na vida”, “seja o melhor”, repetindo isso a nós mesmos colocamos o seguir a Cristo em último plano, negamos a soberania de Deus que pode fazer aquilo que bem entender com nossas vidas. A frustração generalizada com a vida nos dias atuais é uma constante, pois o ideal do modelo econômico e social que vivemos se sobrepôs à certeza de que a vida corporal se esvai.

Negamos a Cristo se o compararmos às profissões que criamos. Jesus foi único em seu propósito, não veio a terra para liderar, para dar uma de psicólogo ou para ser o melhor marceneiro de todos os tempos, veio anunciar boas-novas, tanto para essa vida quanto para a vida que se segue, ele veio para ser o remissor da humanidade, dando a chance de amor pleno e contínuo.

Salvador? Alguns perguntam: quem precisa disso? Eu posso me ajudar, me salvar, há necessidade de outra pessoa para cuidar de mim? Enquanto para uns poucos Cristo é totalmente negado em seu propósito, por outros a função de Salvador da humanidade é mera metáfora, foi rebaixado. Há pior indiferença com alguém do que essa?

Pode até soar como religiosidade barata, mas Jesus é o Salvador, um exemplo a ser seguido para a vida e não somente para alguns segmentos dela.

Um ateu garante: Deus existe - Resenha

Por rap em June 2008 na categoria Literatura, Opinião

Antony Flew, um dos mais conceituados filósofos da contemporaneidade, autor de trinta obras filosóficas e defensor do ateísmo durante cinqüenta anos, se dispõe a mostrar de forma clara e objetiva, provas consideradas incontestáveis para a defesa do teísmo em seu mais recente livro: “Um ateu garante: Deus existe“. Apesar de o título soar um pouco clichê e contraditório para alguns, o conteúdo é de grande riqueza, o qual abrange argumentos de Filosofia, Física, Biologia e outras áreas da ciência. Ainda ateu, Flew ressuscitou o teísmo racional; com a necessidade de defesa, filósofos cristãos ressuscitaram uma área da religião que há tempos não tinha nenhum progresso: a filosofia.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira, intitulada “Minha negação do divino”, o autor revela em três capítulos sua caminhada desde a infância até sua escolha pelo ateísmo; sua criação em um colégio metodista; a influência do pai também pastor e sua posterior escolha pelo ateísmo. É sincero ao tomar a postura de que nunca teve uma única experiência considerada sobrenatural e nenhum interesse por religião: “Ir à capela ou à igreja, recitar orações e praticar outros atos religiosos eram, para mim, quase apenas deveres cansativos“¹; O livro também explicita que o problema do mal visto através do resultado da Segunda Guerra Mundial teve papel importante em suas escolhas.

Quando entra na faculdade em Oxford, Flew tem o privilégio de participar do Socratic Club, clube presidido por C.S Lewis, o “mais eficiente defensor do cristianismo da segunda metade do século XX“², segundo o filósofo. A partir do contato com esse grupo e principalmente com o argumento socrático máximo do clube (”Devemos seguir o argumento até onde ele nos levar“), Flew começa a questionar argumentos, até então estáticos, de filósofos como Locke, Hume, Kant e Russell. Avança, assim, na discussão da filosofia em um contexto geral e mais a frente nos argumentos ateus. Seus livros abordavam a questão do teísmo com grande abrangência; os argumentos não eram únicos, se utilizava do problema do mal, do determinismo, do ônus da prova da existência ou não de uma entidade superior, da causa inicial, de uma inteligência superior e vários outros argumentos históricos e científicos.

Já na segunda parte, denominada “Minha descoberta do divino”, as idéias, antes utilizadas para o ateísmo de forma até então irrefutável para alguns, são esmiuçadas de maneira racional no sentido real da palavra. A proposição de que somente com a razão é possível aprender sobre a existência e a natureza de Deus é retomada, nas palavras do próprio autor: “Eu também não alego ter tido qualquer experiência pessoal a respeito de Deus nem do que pode ser descrito como sobrenatural ou miraculoso. Resumindo, minha descoberta do Divino tem sido uma peregrinação da razão, não da f铳.

O uso de argumentos científicos é abundante para a prova de que há uma inteligência superior. A Cosmologia e a Física são duas áreas bastante abordadas nesse ponto, pois expõem a origem do Universo e remontam aos mais variados argumentos da existência de um ser criativo superior, considerado divino. Richard Dawkins, atualmente conhecido pelo best-seller Deus, um delírio, é duramente criticado pelo uso parcial dos argumentos da Biologia. O problema filosófico da definição do nada (nihil), abordado por Niestchze, também encontra contestação ao longo dos últimos capítulos o qual leva em consideração também a teleologia.

Por fim, dois apêndices enriquecem mais ainda o conteúdo do livro: o apêndice A é uma crítica ao chamado “novo ateísmo”, escrita por Roy Abraham Varghese e que também leva a autoria do prefácio. A abordagem é baseada em cinco pontos pelos quais o novo ateísmo não consegue explicar, são eles: a racionalidade, a vida, a consciência, o pensamento e o ser; já o apêndice B aborda o aspecto cristão do livro, é um diálogo travado entre Antony Flew e N.T. Wright, uma das maiores autoridades no estudo do Novo Testamento. Questionamentos sobre a existência de Cristo e sua ressurreição são bem respondidas e levam a uma curiosidade maior para o estudo da história de Cristo.

Um ateu garante: Deus existe, é um livro que aborda, não de forma aprofundada, o que seria impossível, ou seja, vários aspectos da antiga discussão entre teístas e ateístas, colocando novos rumos nos argumentos e propondo novos caminhos e maneiras de pensar.

¹Pág. 30
²Pág. 41
³Pág. 98

Ao invés de um show

Por as em June 2008 na categoria Opinião

Nova música do vocalista do Switchfoot, Jon Foreman. Traduzido por mim mesmo :-p

Instead of a Show

I hate all your show and pretense / Eu odeio todo o seu show e pretensão
The hypocrisy of your praise / A hipocresia do seu louvor
The hypocrisy of your festivals / A hipocresia dos seus festivais
I hate all your show / Eu odeio todo o seu show
Away with your noisy worship / Longe da sua adoração barulhenta
Away with your noisy hymns / Longe dos seus hinos barulhentos
I stomp on my ears when you’re singing ‘em / Eu tapo as orelhas quando vocês cantam
I hate all your show / Eu odeio todo o seu show

Instead let there be a flood of justice / Ao invés que haja uma enchente de justiça
An endless procession of righteous living, living / Um processão infinita de vidas justas
Instead let there be a flood of justice / Ao invés que haja uma enchente de justiça
Instead of a show / Ao invés de um show

Your eyes are closed when you’re praying / Seus olhos estão fechados enquato você ora
You sing right along with the band / Você canta certinho com a banda
You shine up your shoes for services / Você engraxa seu sapatos para os cultos
There’s blood on your hands / Tem sangue em sua mãos
You turned your back on the homeless / Você ignora os desalojados
And the ones that don’t fit in your plan / E aqueles que nao se encaixam no seu plano
Quit playing religion games / Desista de jogar joguinhos de religão
There’s blood on your hands / Tem sangue em suas mãos

Instead let there be a flood of justice / Ao invés que haja uma enchente de justiça
An endless procession of righteous living, living / Um processão infinita de vidas justas
Instead let there be a flood of justice / Ao invés que haja uma enchente de justiça
Instead of a show / Ao invés de um show
I hate all your show / Eu odeio o seu show

Let’s argue this out / Vamos debater o assunto
If your sins are blood red / Se seus pecados são vermelhos como sangue
Let’s argue this out / Vamos debater o assunto
You’ll be one of the clouds / Você será uma das nuvens
Let’s argue this out / Vamos debater o assunto
Quit fooling around / Pare de palhaçada
Give love to the ones who can’t love at all / Dê amor aqueles que não conseguem amar
Give hope to the ones who got no hope at all / Dê esperença aqueles que não tem mais esperança
Stand up for the ones who can’t stand at all, all  / Defenda aqueles que não podem ser levantar
I hate all your show / Eu odeio o seu show

Instead let there be a flood of justice / Ao invés que haja uma enchente de justiça
An endless procession of righteous living, living / Um processão infinita de vidas justas
Instead let there be a flood of justice / Ao invés que haja uma enchente de justiça
Instead of a show / Ao invés de um show
I hate all your show / Eu odeio o seu show

Não toques no ungido do Senhor

Por rap em June 2008 na categoria Artigos, Espiritual, Opinião

Provavelmente essa seja a maior causa da grande hipocrisia e o maior empecilho de pregação do evangelho que exista: a imunidade espiritual. “Ministros” cristãos se utilizam de versículos isolados para criar uma imunidade parlamentar espiritual, que está acima de qualquer dúvida ou questionamento. Eles têm o direito de falar qualquer coisa mesmo em dissonância com a Bíblia, e tudo que falam se torna verdade absoluta, com a maldição eterna sobre a vida daquele que ousa questionar.

Em 2 Co 2:21;22 é-nos dito que fomos confirmados e ungidos por Deus, não alguns mas todos. O mais impressionante é que o versículo-base para esse jargão é usado totalmente fora de contexto. Em I Cr 16:22 “Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas”, Davi estava falando dos que estavam em perseguição indo para Canaã, ou seja, o versículo é usado descaradamente para fins próprios.

Respeito através do medo sempre foi o meio mais fácil de dominação que existiu. É fácil colocar medo no coração das pessoas para que nada falem contra “autoridades” espirituais do que considerar cada um superior a si mesmo.

A acepção de pessoas se torna realidade pelo fato de ter-se criado uma hierarquia na igreja, que é puro desejo de poder. Quem chegará ao topo da hierarquia mais rápido? Quem será por todos respeitado e ouvido? Os hipócritas autoritários do alto escalão que não serão!

Tem-se início a política quase parlamentar que nem como democracia ou teocracia funciona. O sistema que se destaca na igreja atual é a monarquia, não de Cristo, mas de homens sedentos por poder.

Em meio a tudo isso há ainda alguns que não se importam com os títulos e que estão “sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que pedir a razão da esperança que há em vós;” (I Pe 3:15). Aqueles que se escondem sob um título ou sob uma unção, não respondem sobre a esperança porque simplesmente não pregam sobre ela, por muitas vezes nem sabem que esperança é essa, pregam tanto sobre recompensas terrenas que se esquecem que a nossa recompensa está além-vida.

Empecilho para o evangelho porque os que usam desse “privilégio” se tornam detentores absolutos da verdade e o jugo e fardo de Cristo se tornam contrários ao que Jesus disse, se tornam pesados e difíceis de carregar.

Ignorância evangélica?

Por Luciana em June 2008 na categoria Opinião

É engraçado como evangélicos reclamam da mídia quando o assunto é a religião protestante. Muitas vezes, devo admitir, a imagem passada pelos canais midiáticos é pejorativa em relação a nós, mas depois de um tempo comecei a questionar: isso não ocorre porque nós damos motivos também?

Essa semana o programa da TV Band CQC (Custe o Que Custar) fez uma matéria na marcha para Jesus em São Paulo. O programa é voltado para a comédia, até aí piadinhas e comentários ambíguos são aceitos. O medo inicial é os evangélicos repudiarem a matéria tendo como motivo as prováveis “chacotas”, que são impossíveis de não ocorrer em um programa deste segmento, o que poderia ser avaliado em uma “vergonha” para os evangélicos, (pelo menos alguns).

A vergonha esteve presente na reportagem, e de mãos dadas com a ignorância e atos de grosseria. Porém, não foi promovida pelo programa, mas sim pelos próprios cristãos, que não souberam responder perguntas simples e agiram como arruaceiros pulando em cima do repórter e jogando água nele, como se aquilo fosse divertido.

os comentários feitos pelos evangélicos são de envergonhar qualquer um (pelo menos eu, que tenho vergonha na cara). Até porque, a prisão dos Bispos da Renascer é um fato ocorrido e comprovado pelas autoridades policiais americanas, onde a mídia não teve papel algum nesse caso, somente noticiou o acontecimento - que é que sua função - e se torna o culpado, transformando quem errou, em mártir.

Depois de ver essa matéria fiquei a me perguntar: será que somos mesmos tão santos e realmente temos a tal “superioridade” que tantos pregam nas igrejas? Somos afinal, ignorantes (no sentido real da palavra, que desconhecemos aquilo que se passa à nossa volta, ou somente ficamos “bobos” em frente a uma câmera de TV?

Ouvindo música “secular”

Por rap em June 2008 na categoria Música, Opinião

Após o texto “Deus, obrigado por Marcelo Camelo e por Renato Russo” e ainda “Sejamos totalmente ‘gospel’, então!“, gostaria de deixar minha opinião sobre o assunto, logo abaixo.

Sim, alguns cristãos não ouvem músicas que consideram seculares – músicas que não são feitas por próprios cristãos – espantosa tal idéia. Na realidade chamam de secular por algum motivo obscuro já que secular significa algo que passa de século a século, talvez seja uma alusão ao famigerado versículo de 2Co 4:4 que diz: “nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.”, longe de querermos basear a crítica somente nessa palavra, é importante fazer referência a essa eterna divisão entre divino e pagão.

Porque dividir atividades relacionadas à igreja como sendo divinas e tudo o mais que estiver fora dela como sendo secular ou pagão? É um regresso ao tempo dos fariseus, é um regresso à idéia de que o templo é um lugar físico, é um regresso que não torna ao cristianismo primitivo. Apesar de a idéia ser bastante difundida, temos de levar em consideração que viver em Cristo é viver em totalidade, não somente em alguns poucos momentos pré-definidos, mas a todo o momento. Essa oração um tanto quanto repetitiva se limita a ser repetitiva, porque se olharmos pela prática, nada disso é praticado.

Observemos, por exemplo, pra que dizer que você tem um trabalho secular? Não é um bendito trabalho profissional? Pra que se referir à sua vida fora da igreja como sendo uma vida secular, viraremos todos duas caras, vivendo duas vidas? Que possamos entender, temos todos uma única vida, um trabalho profissional. Apesar de ser uma compreensão básica e aparentemente ínfima isso torna a vida mais livre, isso faz com que o fardo pesado dos legalistas se transforme no suave jugo prometido por Cristo.

Um dos principais argumentos para que não se ouça uma música é o velho e conhecido pecado de influência. Se algo te influencia negativamente, não faça isso. O estranho é que essa idéia entra em conflito com as velhas listas elaboradas pelos legalistas faça-isso-porque-eu-quero. E a prova maior está no fato de que se você falar que ouve um Iron Maiden para um pastor, ele dirá que você é filho do diabo ou coisa do tipo (sim, isso ainda acontece).

Cristãos, em tese, deveriam levar para si as coisas básicas da religião para a vida diária. Devemos entender que Deus é soberano logo, tudo que temos no que diz respeito à natureza humana, seja o livre-arbítrio, os sentimentos ou a criatividade, todos eles são provindos de Deus. Qual a dificuldade em entender que mesmo uma pessoa glorificando ao diabo, tem algo que foi dado por Deus? Oras a criatividade que a pessoa utiliza está sendo direcionada para algo que não concordamos, mas por isso condenaremos os meios que ela utiliza para glorificar aquilo que acha melhor? Exemplificando, o martelo já foi usado várias vezes para o homicídio, por esse fato faremos com que ele seja banido das mãos ‘sacrossantas’ dos evangélicos? O conhecimento pode ser tanto usado para algo bom como para algo oposto, essa idéia é tão latente que também deveria ser utilizada como analogia para a música. Um acorde é um acorde em qualquer lugar, tocado por qualquer pessoa.

Não importa se o que o indivíduo está tocando ou cantando nada tem a ver com Deus, ou se está exaltando o diabo, o que importa no fim das contas é o entendimento por parte de quem ouve que a pessoa está usando uma criatividade dada por Deus. A adoração sempre existirá, o direcionamento dado a ela é pessoal e com certeza será variável.

Por conta do “Não ouça isso! É do diabo!” cristãos são obrigados a ouvirem a pior música existente e ainda acharem boa, com o risco de serem mandados para o inferno se pensarem na possibilidade de escutarem uma música de qualidade que não necessariamente foi composta por evangélicos.

A liberdade tão aclamada pela religião mais uma vez é colocada de lado para a vivência de uma religiosidade que faz com que o cristianismo morra.

Sejamos totalmente “gospel”, então!

Por Sarah em May 2008 na categoria Opinião

Há algumas postagens atrás surgiu uma polêmica por causa do texto Deus, obrigada por Marcelo Camelo e Renato Russo, postado pelo Leone. Em minha ingenuidade (não consigo ver de outro modo) pensei que esse tipo de discussão já havia sido superado. Infelizmente, nos comentários do texto citado, percebi o quanto uma questão tão simples como essa está longe de se resolver.

Não é minha intenção resolvê-la aqui (se longas discussões não resolveram!). Tampouco criar mais polêmica, embora não sei se isso será possível. Apenas decidi dar uma última resposta sobre o assunto. Após essa postagem e os prováveis comentários sobre ela, me recusarei a perder tempo repetindo os mesmos argumentos. Logo, é algo simples e rápido:

Saber apreciar boa música é saber apreciar um dom dado por Deus. Louvar a Deus é muito mais que ouvir grupos de “louvor e adoração” e repetir na igreja o que se ouviu. Adorar é atitude e, assim sendo, está (ou deveria estar) presente em tudo o que fazemos. Deus não concede inspiração apenas a quem se auto-declara cristão.

Se desejamos ouvir somente coisas que falem explicitamente sobre Deus, por que só nessa área? Então por que não lemos apenas livros cristãos? E por que não assistimos apenas programas de TV evangélicos, trabalhamos em empresas de donos que se dizem cristãos, temos apenas amigos que compartilham da mesma fé?… Por que, então, não somos TOTALMENTE gospel? Talvez porque não somos tão hipócritas assim…

Então há uma esperança. De que todos compreendam o que é graça comum e aproveitem a liberdade que Cristo nos concede. E percebam que o toque de Deus está em tudo, até onde menos imaginamos.

(Aproveitando o post e o assunto, recomendo novamente o livro: “Cristianismo Criativo?”, de Steve Turner)